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Ensayo técnico muestra el poder de Quidam | Diario de Pernambuco, Recife, Brasil (09/07/09)

Por Raquel Lima, do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
09/07/2009

A produção do Cirque du Soleil pediu para não utilizar a apresentação desta quarta-feira (8), sob a lona montada no Complexo Salgadinho, em Olinda, para embasar a critica ao espetáculo. Afinal, ensaio técnico (ou em inglês, dress rehearsal) não é estreia, nem mesmo pré-estreia. Mas os paulistas e canadenses da citada equipe não tinham com o que se preocupar. Quidam (que traduzindo do latim clássico para o português significa Transeunte) é um passeio por um mundo onírico que é extremamente belo e, às vezes, assustador. Exatamente como os sonhos podem ser.

Cinquenta e dois artistas (destes, três são brasileiros) se revezam em cena para contar a história de Zoé, uma jovem negligenciada pelos pais. Ele não larga o jornal (que no ensaio era o Diario de Pernambuco). Já a mãe, parece avessa ao que acontece ao seu redor como se estivesse no limite da resignação. Um homem sem cabeça aparece e abre as portas da imaginação de Zoé – dando vida a palhaços, malabaristas, contorcionistas, ginastas, dançarinos e acrobatas. Todos desafiam limites do corpo, enquanto povoam a solidão de Zoé – ora com sorrisos ora com espanto. A plateia também mergulha nestas emoções.

A maquiagem, o figurino, o cenário e a trilha sonora (executada ao vivo até mesmo nos recursos de sonoplastia) são extremamente bem cuidados. Destaque para a Aerial Contortion In Silk (algo como Contorcionismo aéreo com seda), além de Statues Vis Versa (na tradução literal, Estátuas Vice-versa) – em que dois bailarinos dançam usando o corpo um do outro como plataforma. O clown John, de Toto Castineiras, é memorável. São com ele os momentos mais interativos do espetáculo. A performance do artista russo Andrei Roublev na German Wheel (Roda alemã) é conhecida por arrancar expressões de perplexidade dos mais de 9 milhões de espectadores de Quidam, em 20 países.

Nesta quarta, Quidam foi visto por apenas 1.6 mil convidados (mil pessoas a menos do que a capacidade total da lona). Além de jornalistas, políticos (como a ex-prefeita de Olinda, Luciana Santos ou o secretário das Cidades, Humberto Costa), havia crianças de escolas públicas e outras 150 que integram a Escola Pernambucana de Circo. Dez destes meninos pintaram murais inspirados no Cirque du Soleil. As peças foram apresentadas e postas à venda a partir desta noite. O valor arrecadado será revertido para a escola e para a ONG Arricirco.

Um prevenido vale por dois - Os pernambucanos parecem estar ansiosos para conferir ao vivo a beleza e o desafio plástico que acontece embaixo da lona gigante, apesar do preço (iguais para todas as cidades da turnê). Aliás, tudo é muito caro no entorno do espetáculo: estacionar custa R$ 15; comer um saco de pipoca grande, R$ 13; o mais barato brinde na lojinha, um imã de geladeira, está sendo vendido por R$ 15; o mais caro, uma das máscaras de Quidam, chega a R$ 2.599.

Para que a emoção de assistir ao Cirque du Soleil não pese ainda mais no bolso, como o preço de um ingresso perdido por atraso, por exemplo, recomenda-se sair de casa com bastante antecedência. O trânsito está lento no local - já que bem perto do Complexo Salgadinho, no Centro de Convenções, acontece a Fenearte. No entanto, Quidam vale tanto o gasto extra quanto os possíveis minutos perdidos no engarrafamento e a temporada em Olinda só termina em 2 de agosto.